quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Soldado que atropelou família em Lauro de Freitas participa de audiência


Fernando Amorim | Ag. A Tarde
Alisson Luiz atropelou três pessoas em Ipitanga em dezembro do ano passado
Alisson Luiz atropelou três pessoas em Ipitanga em dezembro do ano passado
Iniciado às 10h desta terça-feira, 5, a audiência de instrução do soldado da Aeronáutica Alisson Luiz dos Santos Maia, de 20 anos, terminou no Fórum do município de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Alisson é acusado de ter atropelado, em dezembro de 2009, três pessoas de uma mesma família na Rua Ibitiara, em Ipitanga, após participar de um pega. 

Foram ouvidas na audiência, primeira após a finalização do inquérito policial, quatro testemunhas de acusação. O julgamento foi presidido pela juíza Patrícia Sobral . Um nova audiência está marcada para o dia 4 de novembro, onde serão ouvidas outras nove testemunhas, dois policiais que atenderam à ocorrência e o próprio Alisson. Segundo a juíza, o julgamento deve ser realizado em dezembro, e o réu deve ir a juri popular.

O advogado de defesa do acusado, Joaquim Ferreira, nega a versão apresentada pela polícia. "Meu cliente não estava participando de pega. O que aconteceu foi que o carro derrapou e ele perdeu o controle da direção", defende. 

O pai das crianças e marido da mulher atingida, Denilson Dias  Gonlçalves, 44 anos, acredita que houve corporativismo por parte da Policia Militar e da Aeronáutica, “ Isso é lamentável. Uma instituição como a Aeronáutica não se preocupo em averiguar um fato tão grave como esse”.

As vítimas do acidente, a comerciária Adriane Aparecida Urbano Gomes, 41 anos, sua filha Dayane Dias Gonçalves, 23 anos, e o filho Thiago Dias Gonçalves, de 9 anos, retornavam do mercado quando foram atingidos na calçada pelo veículo Ford Ecosport dirigido pelo soldado, que perdeu o controle do automóvel e capotou. Adriane e Dayane morreram na hora, já Thiago ainda se recupera do acidente após passar meses internado em estado grave na ala pediátrica do Hospital Roberto Santos. 

Em entrevista concedida ao A Tarde On Line no dia 30 de agosto, Denilson  afirmou que atualmente convive com as sequelas que o acidente deixou no filho. "Meu filho passou sete meses no hospital. Hoje ele não fala, não enxerga, não se movimenta e come apenas comidas pastosas". Ele conta com a ajuda da filha de 18 anos, Priscila Dias Gonçalves, para tomar conta do irmão, que necessita de cuidados especiais, e da outra filha, Gabriele Dias Gonçalves de 3 anos. Ele conta também com a ajuda de profissionais disponibilizados pelo Município de Lauro de Freitas. 

O delegado da 23ª CP, Cláudio Meirelles, que acompanhou o caso, constatou que o veículo dirigido por Alisson, de placa DZG-0650 e licença de São Paulo, possuia restrições de furto ou roubo, além de acumular dívidas de R$ 5.498 referentes a licenciamento e R$ 980 de multa. O automóvel é registrado em nome de Yara Lopes de Barros Santos, com endereço no bairro Moema, na capital paulista. 

Após perícia no local do atropelamento, a polícia concluiu, em inquérito, que o soldado Maia participava de um "racha" antes de perder o controle da direção e provocar o acidente. O acusado foi denunciado pelo Ministério Público, que pede sua condenação por homicídio e lesões corporais. 

À época do acidente, a equipe de A TARDE localizou um tio de Alisson em Itapuã, bairro onde reside, e ele alegou que o sobrinho não teria ingerido bebida alcoólica antes de dirigir e voltava de uma festa quando foi fechado por um outro veículo e perdeu o controle da direção. “Ele é um rapaz responsável, estão falando coisas erradas dele na imprensa”, reclamou o familiar.

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